sábado, 6 de março de 2010

As Máscaras


Todos nós já nos mascarámos inúmeras vezes no dia do Carnaval, Halloween ou simplesmente para uma festa.
Já nos mascarámos de princesas, fadas, super heróis ou vilões para escondermos totalmente a nossa cara, a nossa entidade e assim vivermos experiências novas.
Mas será que só usamos essas máscaras durante alguns dias, festas ou escassas horas? Não será que vivemos a nossa vida em função da utilização de diversas máscaras?

As máscaras que utilizamos no nosso dia-a-dia são as diferentes maneiras que a nossa personalidade apresenta para encarar o ambiente que nos rodeia ou a várias situações que vamos vivendo.
Assim, podemos perguntar quando olhamos ao espelho "O rosto que agora se olha ao espelho é o herói sem máscara ou é a máscara sem o herói?".

Também Fernado Pessoa vivia com as suas máscaras e justificava estas dizendo "Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única central realidade que não está em nenhum e está em todas".
Ele próprio estava preso a esta palavra através do nome, "Pessoa" que significa "personagem", "máscaras".

É  a partir das máscaras que sobrevivemos, pois estas protegem-nos e ajudam-nos a encarar os vários problemas, os nossos próprios sentimentos e pensamentos, ideias.
A partir dos heterónimos, Fernando Pessoa foi-se refugiando para tentar alcançar o equilíbrio, a felicidade, assim estas são pedaços de um todo que nos vão ajudando a representar as nossas experiências, histórias e sentimentos.
Agora pergunto, "Podemos viver sem elas, sem as máscaras e sermos nós próprios?".
As máscaras fazem parte de nós próprios, da nossa personalidade. Sem elas não passamos de seres parciais, incompletos, mutilados...
São elas que nos completam e nos preenchem, assim, o verdadeiro desafio da vida está em sabermos como vivermos com elas. "Procurar o rosto verdadeiro é um engano porque debaixo de cada máscara há sempre outra e mais outra e nenhuma é a verdadeira".
Temos que aprender, sim, a escolher a máscara que melhor se adapta a uma situação, a cada dia, a cada história de modo a que ninguém desconfie que a estamos a usar, nem nós mesmos "desconfiemos que nós não somos nós" para podermos brilhar, pois a peça, que é a vida, será arruinada se, por algum momento escolhermos a máscara errada e temos assim a probabilidade de estragarmos a história toda.
Temos que aceitar as nossas máscaras e vivermos o melhor que soubermos para que no fim da  peça, quando as cortinas se fecharem, as pessoas possam aplaudir de pé.

Keli Ruthven

(escrito por A.Teresa)

1 comentário:

  1. Adorei, mesmo!
    E adoro a minha mácara, neste momento, acho que mais alegre não podia estar. Vê lá se tentas alegrar um pouco também a tua.
    É preciso que fique curada e imune a tudo o resto!

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