domingo, 21 de março de 2010

“Sonho de escuridão e pura vingança”

O meu corpo sangra!
A minha alma grita!
O meu coração sofre
Por uma luta, à partida, perdida.

As pétalas caem.
O vazio preenche-se
Com um vermelho vivo,
De sangue ou de medo.
Medo de raiva,
Ou talvez, medo de ódio?!
Medo de perder
Algo que ainda não nasceu.

Encontraste-me,
Escondida naquele bosque
Escuro e triste.
Foi lá que cresci e existi.
Até tu, para puro e simples divertimento
Colheste-me.
Arrancando-me do meu habitat
Sem dó nem piedade.

Agora proteges-me
De tudo e de todos!
Tens medo de perder
O teu único tesouro.

Mas esqueceste que sou negra,
Negra que nem a escuridão.
Perfeita para um vampiro,

Imperfeita para uma multidão.
Multidão essa que adora o dia
Esquecendo a noite e tudo que nela existe.
Saudando a luz e a alegria,
Que nela é transmitida.

Eu perdi essa vontade,
De irradiar luz e cor
Por causa do único amor
Da minha eterna e única vida.

O ódio é que me faz crescer!
A escuridão é que me alimenta.
Raiva, sangue é o que circula
Nas minhas teias de seda.
Seda onde existe pecado!
Seda do malvado...
Se cais nela e não conseguires escapar,
A tua alma será minha até me beijares!

Esta é a paga.
A paga por me teres acordado e raptado,
Do meu sonho desgraçado
De escuridão e pura vingança!

Keli Ruthven

(escrito por A.Teresa)

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