terça-feira, 20 de abril de 2010

Sonho arrepiante!



Tudo está escuro; a respiração acelerada; a lua também está com medo, escondendo todo o seu brilho e luz do monstro que está à solta nas ruas da pequena aldeia.
Estou cá fora numa noite tão fria. Não sei como vim cá parar, tão longe de casa, mas tenho que voltar rapidamente.
Ele quer-me apanhar e fazer-me coisas horríveis. Mas não sei porquê a mim. Não consigo perceber nem sequer pensar por causa do medo que percorre todo o meu corpo. Só sei que corro em direcção a casa mas esta só parece mais longe a cada passo que dou.
...Ele é lindo, irresistível diria, mas tão perigoso, tão selvagem...
Ele só caminha atrás de mim. Como é possível eu correr e não chegar a casa  e ele apenas caminhar e estar tão perto de mim?
Ufa! Consegui chegar a casa. Agora é só trancar-me cá dentro e ele vai-se embora.
O quê? Como é possível?
A porta encolheu, não consigo fechá-la sequer. Ele vai conseguir entrar! Eu não consigo fechá-la porquê? Porquê? Fecha-te, fecha-te rápido! Não, não, por favor! Ele está a olhar para mim de uma maneira... ele vai-me matar, tenho a certeza. Até sinto o cheiro do medo, da morte, do sangue...
Ele já está dentro da casa a avançar para mim. Cada passo que ele dá na minha direcção, eu recuo para longe dele mas, Oh Meu Deus! Estou entre ele e a parede.
O que faço agora? Não consigo pensar, não consigo respirar!
Ele está tão perto que consigo ouvir a sua respiração calma e profunda, o seu cheiro embriagante...
O quê? Não consigo suportar o seu toque. Porque é que ele me está a tocar desta maneira?
Mata-me de uma vez por todas, rápido para não sentir nada mas...
A mão dele é tão fria, tão suave, o olhar tão escuro e profundo.
Está cada vez mais próximo de mim.
Oh não! Por favor, não! Tudo menos isso. Prefiro a morte a que me toques.
Mas já era tarde de mais. Ele já tinha arrancado toda a roupa do meu corpo e tinha entrado violentamente dentro de mim. Que nojo, que náusia... Todo o meu corpo estava paralizado, sem qualquer reacção.
Keli, Keli, meu amor! Vou possuir-te até me fartar e depois matar-te devagar para sentires bastante dor e sofrimento. Vais arrepender-te de ter nascido e de teres arruinado a minha vida, sua cabra! Arrancaste o meu coração. Tiraste a pessoa mais importante para mim. Agora vais morrer a satisfazer todas as minhas necessidades, raivas, ódios...antes”.
-NÃO!!
Quando abri os olhos e percebi que estava no meu quarto, sosseguei parcialmente.
Que pesadelo horrível! Ainda bem que já tinha conseguido acordar. Aquela sensação de transe, de estar acordada fisicamente e presa no sonho mentalmente era tão arrepiante, tão assustadora que parece que estamos mesmo a viver tudo aquilo. O meu corpo ainda tremia...tenho que me afastar do Kevin rapidamente antes de me afundar ainda mais.
Tenho que me concentrar nos meus objectivos e deixá-lo de parte.
Não preciso de mais confusões, problemas e muito menos de mais sentimentos e emoções.
Mas como é possível esquecer um sonho tão nojento e assustador?
Amanha é outro dia, outra Keli, outra máscara, outra história...

Keli Ruthven

(escrito por A.T.)

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