quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Quem seria aquele desconhecido?

Quando abri os olhos mal podia acreditar que já era de dia de novo e que tudo ia começar... outra vez.
Os meus olhos ainda estavam cansados e tudo à minha volta ainda estava um pouco escuro... o meu coração continuava a bater tão forte e rapidamente! Tinha sonhado mas não sabia com o quê ou com quem. Apenas sabia que alguma coisa ia acontecer naquela manhã de nevoeiro.
                Mal sai da porta da minha casa e enfrentei a dura realidade da vida, apercebi-me que isto ia ser sempre assim, dia após dia. Sempre a mesma rotina sem nada mudar, nem um pouquinho.
                Enfim, estava cansada mas nada podia fazer se não continuar a viver.
                Quando encarei com a multidão de alunos, senti-me um pouco tonta. Alguns olhavam fixamente para mim. Tinha misturado azul com laranja na roupa e eles estavam a analisar. Acontecia muitas vezes desde que tinha começado a fazer a minha própria roupa e a misturar estilos completamente diferentes criando assim o meu próprio estilo. Era um pouco diferente, confesso, mas tinha orgulho no meu trabalho e acho que o estilo combinava perfeitamente com a minha personalidade.
                Estava tão distraída com os meus pensamentos que não via para onde os meus pés me estavam a levar e, de repente, acordo do meu sonho e deparo-me com os meus cadernos todos no chão e desenhos todos espalhados e desalinhados juntamente com os cadernos e desenhos de outra pessoa. Quando olhei para ver quem era desta vez deparei-me com um desconhecido belo e misterioso. O meu coração pensou, falou e suspirou bem alto dentro de todo o meu corpo. Tinha notado o súbito aquecimento que surgiu na minha cara que devia estar em contraste com a palidez do rapaz que estava à minha frente.
                Comecei a juntar as minhas coisas para disfarçar todo aquele embaraço e ele fez o mesmo com as coisas dele. Só com um pedido de desculpas sai dali o mais discreta e rapidamente possível. Porque tinha que acontecer sempre a mim?
                Quando cheguei a casa e estava a ver se tinha estragado algum desenho, um deles prendeu-me o olhar. Era tão belo, tão misterioso. Parecia que tinha vida própria.
A rapariga que estava desenhada no papel parecia que vivia lá... era tão estranho mas ao mesmo tempo hipnotizante. Não conseguia tirar os olhos dela. Não conseguia pensar sequer.
Mas sabia que tinha de entregar o desenho apesar de não ter muita coragem para falar com o desconhecido de novo. O rapaz...comecei a pensar nele, no autor daquele retrato. Quem seria?
Não sabia de onde era nem como lá tinha parado. Só sabia que a minha vida tinha começado naquele dia.

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