quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Submersa, roubada....

Algo me observa,
Na escuridão,
No silêncio da noite.

Eu sei, eu sinto.
Mas nada posso fazer.
Não sei onde está,
Onde se esconde...

Ela quer tudo,
Tudo o que me pertence.
Porquê?
O que tenho que seja assim
Tão importante para ti?

Sou vazia por dentro.
Sou fantasma com corpo,
Mas pouco resta dentro
Deste humano.



(sinto o teu cheiro,
Sinto o teu desespero.
Hmmm, meu.
Tudo meu!

Desperdiçaste tanto, tanto!
Um amor verdadeiro,
Um futuro feliz,
Uma vida preenchida.
Perdeste tudo!
Tudo!
E agora tudo é meu!
A tua alma,
A tua vida,
O teu amor...!

Que sabor tão bom,
Que visão tão promissora.
Que bom sentir todo este calor!

Sente esta dor!
Sente todo este desespero!
O quê?
O que estou eu a pensar?!
Tu? Sentir? Dor? Desespero?
Tu não sentes,
Ser vazio, frio.

 És mais só e miserável que eu!
O próprio pecado.

Por isso, agora fica,
Fica aqui,
Assim parada.
Completamente imóvel.
E deixa,
Deixa-me viver a tua vida.
Deixa-me aproveitar
Tudo aquilo que deixaste de lado
Por não teres coragem suficiente de
Encarar, de sentir, de viver!

Deixa um ser selvagem sentir
Pelo menos uma vez,
O que é ser amado e amar.

Deixa-me viver a tua vida,
Já que não a queres para nada
E agora, dorme!
Dorme por muitos e muitos anos
E sê feliz,
Como sempre quiseste.
Completamente sozinha e no escuro a dormir,
 Sem pensar em nada,
Sem viver nada,
Apenas imersa na escuridão.)

Teresa Oliveira

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