sábado, 4 de setembro de 2010

Um sonho dentro de um sonho.

Queria fugir.
Queria esquecer.
Queria partir.
Queria sobreviver.

Tanta coisa ainda me invade o pensamento. Tantos fantasmas, tantas recordações do passado.
Como posso esquecer tudo e voltar a ser a alegre e despreocupada Mya de antes? Estou cansada de não conseguir confiar em ninguém, pois não sei quem é verdadeiro ou não... ninguém me entende, me compreende...
Toda a minha vida, procurava no exterior, o amor que nunca tinha recebido por parte da minha família, dos meus pais e irmão.
Tentava estar sempre rodeada de amigos e assim confiava a minha vida a qualquer pessoa.
Que estupidez!
Tantas facadas, tantas traições levaram-me a refugiar dentro de mim própria e a partir para um sítio novo com pessoas diferentes. Tinha fé que o problema fosse dos outros e não meu mas, naquele sítio, sofri mais do que em toda a minha vida.
Sempre acreditei num Mundo Encantado, num príncipe encantado, na “minha alma gémea”.
Meu Deus, como fui ingénua em acreditar nas suas promessas ... só de pensar na forma obsessiva como me olhava, como me tocava...
Sinto nojo de mim mesma. Aquelas mãos a percorrerem todo o meu corpo apesar de eu não querer; a agressividade das suas palavras.
Ele queria-me de uma forma doentia, nojenta. Consegui fugir, verdade. Consegui sair daquele sítio e esconder-me noutro sítio e ai, construir uma vida nova. Eu, uma pessoa diferente, a agir de forma diferente. Mas algo ficou para trás. Pedaços do meu coração foram ficando pelo caminho mas a maior parte ficou com o ‘monsto’.
Neste momento sinto-me vazia e sem qualquer sensação de prazer ou amor. Simplesmente tenho nojo de mim mesma e de todos que me toquem. Não suporto ter que cumprimentar todas as pessoas, de lhes tocar ou ser tocada. Tento disfarçar mas, por vezes é mais forte, não consigo controlar. Tive que fechar várias portas na minha vida. No presente e no futuro, sou só eu e mais ninguém. Só eu e os meus fantasmas, eu e a minha pintura como refúgio.
Apenas ideias, pensamentos, formas de sonhar com uma vida normal apesar de...muitas portas estarem trancadas.

Mya Keats
(Pensamentos de Teresa Oliveira)

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