domingo, 27 de março de 2011

Reflexos desfaçados – Parte 1



Tudo escurecia.
O céu tinha sido invadido por inúmeros pontos brilhantes que iluminavam todo o quarto. A lua, por sua vez, iluminava a sua cara suave de expressão fria e selvagem.
Como poderia estar apaixonado por uma pessoa assim?
Tudo nela o irritava. A sua forma má e maquiavélica de lidar com as pessoas. O seu distanciamento em relação a tudo o que se passava à sua volta...mas ao mesmo tempo ela era linda, de uma beleza anormal e arrebatadora.
“Oh, Meu Deus! O que estou eu a fazer aqui, a observá-la através da janela do seu quarto?”Devia estar doido, só podia.


Tinha descoberto a poucos dias que ela era a filha do homem que tinha assassinado o seu pai de uma forma brutal, animalesca. Ela era a rapariga, que ele tinha jurado há tantos anos atrás, fazer sofrer muito, até o irmão a matar, talvez...
Mas agora, que a tinha encontrado, que sabia quem era, era incapaz de a magoar. Como era possível que estivesse apaixonado por ela? Como?
Tudo estava errado, tudo! O colar, o baú, o mapa, a chave...
Todas as peças não encaixavam, fazendo um todo com sentido.
Não conseguia pensar! Nada! Desde que vira o colar no pescoço dela, quando a ia beijar, que tudo estava errado na sua cabeça. Não sabia o que fazer.
Por um lado tinha todo o passado, o seu sofrimento por causa da perda dos pais. O juramento que ele tinha feito com o seu irmão na noite em que tinham encontrado o seu pai brutalmente assassinado, e dias depois, com a junção da perda e sofrimento da morte súbita da sua mãe, que provavelmente tinha morrido por causa da depressão da perda do marido...eles queriam vingar a morte dos pais desde tenra idade.
Mas, por outro lado, tinha Keli, a arrebatadora e misteriosa rapariga que lhe tinha conquistado e arrancado o seu coração à tanto tempo escondido no seu interior inacessível.
Queria derreter todo aquele gelo que envolvia o coração de Keli e assim, tocar naquele ser tão sensível e frágil. Poder tocar em todo o seu corpo...
Não sabia o que fazer nem no que estava a pensar. “Oh Meu Deus o que posso eu fazer?”
Estava completamente perdido e o facto de a estar a vigiar à luz da Lua, no seu quarto com o mínimo de roupa vestida, não o estava a ajudar em nada.
Tinha notado que ela, do dia para a noite, tinha-se distanciado dele, sem razão aparente.
Será que também ela tinha descoberto alguma coisa? A relação entre os seus passados? Que se tinha recordado dos momentos que tinham passado juntos há tanto tempo atrás?
Perguntas e perguntas sem quaisquer respostas...
Enquanto a sua cabeça não lhe dava a resposta, talvez fosse melhor ouvir o coração!

Cam Booke
(escrito por A.T.)

1 comentário:

  1. O primeiro livro que vou ler vai ser teu Teresa , tens um dom !

    beijinho enorme !

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